A Cigarra e a Formiga
Num dia soalheiro de Verão, a Cigarra cantava feliz.
Enquanto isso, uma Formiga passou por perto. Vinha afadigada, carregando
penosamente um grão de milho que arrastava para o formigueiro.
- Por que não ficas aqui a conversar um pouco comigo, em
vez de te afadigares tanto? – Perguntou-lhe a Cigarra.
- Preciso de arrecadar comida para o Inverno –
respondeu-lhe a Formiga. – Aconselho-te a fazeres o mesmo.
- Por que me hei-de preocupar com o Inverno? Comida não nos
falta... – respondeu a Cigarra, olhando em redor.
A Formiga não respondeu, continuou o seu trabalho e foi-se
embora.
Quando o Inverno chegou, a Cigarra não tinha nada para
comer. No entanto, viu que as Formigas tinham muita comida porque a tinham
guardado no Verão. Distribuíam-na diariamente entre si e não tinham fome como
ela. A Cigarra compreendeu que tinha feito mal...
Moral da história:
Não penses só em divertir-te. Trabalha e pensa no futuro.
A formiga e a pomba
Estava uma Formiga junto a um regato quando foi apanhada
pela corrente. Uma Pomba que estava pousada numa árvore sobre a água viu que
ela estava quase a afogar-se e teve pena dela. Para que se pudesse salvar,
atirou-lhe uma folha. A Formiga subiu para cima da folha e flutuou em
segurança para a margem do regato.
Pouco depois, apareceu um caçador e apontou para a Pomba. A
Formiga, percebendo o que estava para acontecer, picou-o no pé. O caçador
sentiu a dor da picada e moveu-se ruidosamente. Alertada, a Pomba voou para
longe e salvou-se.
Moral da história:
O melhor agradecimento é o que se dá quando os outros mais precisam de nós.
O Conselho dos Ratos
Há muito, muito tempo, os Ratos reuniram-se em assembleia
para decidirem em conjunto o que fazer em relação ao seu inimigo comum: o
Gato.
Depois de muito conversarem, um jovem rato levantou-se e
apresentou a sua proposta:
- Estamos todos de acordo: o perigo está na forma
silenciosa como o inimigo se aproxima de nós. Se conseguíssemos ouvi-lo,
podíamos escapar facilmente. Por isso, proponho que lhe coloquemos um guizo no
pescoço.
A assembleia recebeu estas palavras com entusiasmo. Foi
então que um Rato Velho se levantou e perguntou:
- E quem é que vai colocar o guizo no pescoço do Gato?
Os ratos começaram a olhar uns para os outros, e não houve
nenhum que se oferecesse para levar a cabo semelhante tarefa.
Então o Rato Velho terminou, dizendo:
Propor uma solução é fácil, o difícil é pô-la em prática.
Burro com a pele de Leão
Certo dia, um Burro encontrou uma pele de Leão que os caçadores tinham
deixado a secar ao Sol.
- Vou cobrir-me com ela e assustar toda a gente – pensou ele.
Assim fez, e assustou todas as pessoas e todos os animais que encontrou. Muito
orgulhoso do seu feito, zurrou muito alto, cheio de alegria.
Foi o seu erro, porque nesse momento todos perceberam pela sua voz que ele,
afinal, era apenas um Burro.
O dono, que tinha apanhado um grande susto, resolveu castigá-lo e deu-lhe umas
valentes pauladas.
Moral da história:
Não queiras parecer aquilo que não és.
O leão velho
Um Leão, já muito velho e sem forças, repousava no seu covil.
Os outros animais, aproveitando-se da sua fraqueza, resolveram vingar-se dos
maus tratos que ele lhes infligira quando era jovem e forte: o cavalo deu-lhe
um coice, o lobo deu-lhe dentadas e o boi deu-lhe uma cornada.
O infeliz aguentou, sem um queixume. Foi então que viu um burro a correr na
sua direcção, pronto para o agredir também.
- É demais! - exclamou ele. - Aceito morrer, mas ser insultado por ti é morrer
duas vezes!
Moral da história:
Receber um castigo de pessoas ilustres é suportável, mas recebê-lo de
ignorantes é deprimente.