* Período histórico

O Renascimento ampliou os limites geográficos do mundo conhecido e o homem europeu acreditou em sua capacidade de mudar o mundo através da razão.  O avanço do conhecimento científico e o resgate da cultura clássica não foram suficientes para manter a euforia antropocêntrica.   Várias alterações políticas, econômicas, sociais e religiosas contribuíram para gerar a crise espiritual que trouxe sentimentos contraditórios e valores opostos.

 Politicamente, consolidou-se o Absolutismo com a centralização do poder nas mãos do Rei, que acreditava ser o representante de Deus na Terra.

Economicamente, a sociedade estava organizada em três camadas sociais: o clero, a nobreza e o Terceiro Estado (formado pela burguesia, artesãos e camponeses).  A burguesia pressionava a nobreza e o Rei para participar das decisões do Estado.

Espiritualmente, a Reforma promovida pela Igreja Católica, representou a cisão da Igreja cristã, dando origem ao protestantismo.  A reação da Igreja foi a Contra-Reforma, com a qual pretendia combater a expansão protestante e recuperar o domínio nas áreas perdidas.

Foi nesse contexto histórico que surgiu o Barroco, tentando representar o opressão, as contradições violentas e o conflito que a sociedade vivia.   Se de um lado, o homem sentia-se livre para enriquecer, de outro lado o regime político não permitia ascensão social.  Se de um lado, o mercantilismo permitiu novos valores e conquistas materiais, de outro lado a Contra-Reforma procurava restaurar, pela força, os valores espirituais medievais.

* Literatura

Nesse clima de crise social e espiritual, o Barroco tenta conciliar as duas concepções de mundo da época: a medieval e a renascentista.  A origem da palavra barroco é permeada de dúvidas mas, dentre as várias posições, a mais aceita é que seria originária do espanhol barrueco,  palavra do português arcaico utilizada pelos joalheiros para designar um tipo de pérola defeituosa.

O Barroco atingiu praticamente todas as artes, escultura, pintura, arquitetura e literatura.  Em todas elas, encontramos seus traços marcantes, principalmente nas cores, que são escuras e fortes. Na arquitetura, podemos observar janelas miúdas com vidros coloridos, impedindo a entrada de claridade no ambiente. As igrejas de estilo Barroco são caracterizadas pelas ponteiras de suas torres, lembrando o estilo gótico.  Na literatura, o Barroco foi elitizante, arte sofisticada e refinada, exigida pelo público consumidor.  A linguagem figurada era utilizada para sugerir ao invés de dizer de forma direta e objetiva.  O uso de antíteses e paradoxos serve para representar o conflito entre o mundo espiritual e material.  Conscientes da passagem do tempo e da efemeridade da vida terrena, o homem barroco prega o carpe diem (aproveite o dia).

Os maiores representantes desse período são: