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Ainda que eu falasse a
língua dos homens
E falasse a língua dos
anjos
Sem amor, eu nada seria.
É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é
verdade
Amor é bom
Não quer o mal
Não sente inveja ou se
envaidece.
"Amor é fogo que arde sem
se ver
É ferida que dói e não se
sente
É um contentamento
descontente
É dor que desatina sem
doer.
É um não-querer, mais que
bem-querer
É solitário andar por
entre a gente
É um não-contentar-se de
contente
É cuidar que se ganha em
se perder.
É estar-se preso por
vontade
É servir a quem vence o
vencedor
É ter com quem nos mata
lealdade
Tão contrário a si é o
mesmo amor."
Ainda que eu falasse a
língua dos homens
E falasse a língua dos
anjos
Sem amor, eu nada seria.
Renato Russo
em aspas o
poema de Camões
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