Para o Sol receber na
luz primeira,
Noiva do Sol - como, em
festiva sala,
Noiva de Rei - toda era viço
e gala
No pomar verde a verde
laranjeira.
Lidaram sem descanso a noite
inteira
Mãos de invisíveis aias a
alfaiá-la;
Brando queixume a alma
impaciente exala,
O véu de núpcias rumoreja e
cheira.
Espera. Eis que, porém, de
encontro ao seio
O vento a enlaça, beija-a, a
envolve toda,
Redemoinhando em súbita
rajada.
E quando o Sol para esposá-la
veio,
Quase despida a viu.
Voavam-lhe em roda
As flores da coroa
desfolhada.