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Romantismo
O Romantismo representa uma ruptura na forma de perceber o mundo, um movimento literário que representa o modo de sentir e agir dentro das condições históricas do final do século XVIII e da primeira metade do século XIX. Não vamos confundir romantismo ou romântico com o conceito que temos atualmente, pois houve uma modificação na interpretação. Romântico foi um adjetivo utilizado para qualificar os escritores que buscavam temas nas novelas da cavalaria e na cultura medieval. O termo define também os valores estéticos opostos às formas clássicas. Portanto, estamos falando de um período literário e não do significado e valores atuais da palavra. * Contexto Histórico O período romântico é fruto de dois grandes acontecimentos na história da humanidade: A Revolução Industrial e a Revolução Francesa. A Revolução Industrial iniciou-se na Inglaterra e substituiu as grandes massas de trabalhadores pelas máquinas, acumulando mais capital nas mãos da burguesia. O aumento da oferta de produtos, diminui os preços, provocando uma nova relação entre produto e consumidor. Alemanha e Inglaterra foram pioneiros no período romântico, mas coube à França o papel de divulgá-lo. Goethe (Alemanha) inaugura o Romantismo com Werther e Walter Scott (Inglaterra) com Ivanhoé. Ainda na Inglaterra, Lord Byron inicia o período ultra-romântico nos primeiros anos do século XIX. Durante esse período, a Revolução Francesa se consolida e os ideais "Liberté, Igualité, Fraternité" dominam o mundo, confrontando-se com as monarquias absolutistas, unindo burguesia e camponeses na luta contra os privilégios aristocráticos. O absolutismo monárquico, a interferência do estado nos assuntos econômicos e a isenção de impostos da nobreza e do clero eram considerados um entrave à expansão econômica. Os monarcas se unem contra a França, mas Napoleão Bonaparte provoca uma série de guerras, inclusive com Portugal, que se vê pressionado. D. João VI e sua corte optam por abandonar o país e se refugiar no Brasil, invertendo os papéis e elevando o país à condição de "Reino Unido". Para o Brasil, a vinda de D. João VI trouxe avanços na colônia pois nesse período, o Rei inaugurou universidade, jornal, banco, jardim botânico, incentivo à pesquisas e principalmente, avanços no comércio e primeiras indústrias. Apesar de todos esses incentivos, a cidade do Rio de Janeiro não estava preparada para esse avanço súbito, ocorrendo, nessa época, problemas de ordem social. Criou-se um forte sentimento nacionalista e aversão ao lusitano. D. João VI deixa o Brasil e volta a Portugal, quando a situação fica conflitante entre os liberais e conservadores. D. Pedro I assume o Brasil e, em 1822, proclama a Independência mas renuncia quando Portugal enfrenta uma guerra civil. O Romantismo se consolida finalmente, com os liberais no poder português, em 1836. No Brasil, os conceitos românticos são introduzidos no período regencial, ainda sob o impacto da abdicação de D. Pedro I. Ligado ao processo de independência política, o sentimento nacionalista se fortalece e tenta-se eliminar as marcas culturais lusitanas, com o início de uma literatura verdadeiramente nacional. A partir da Independência, o Brasil precisava se ajustar aos padrões de modernidade da época e acompanhar as nações independentes da Europa e América, e, principalmente, à necessidade de auto-afirmação como país. Como o Brasil ainda não tinha a estrutura social dos países industrializados, pois ainda estávamos no binômio aristocracia/escravidão, o "ser burguês" era apenas um estado de espírito e não uma classe social, representando um comportamento a ser seguido. * Características De modo geral, o individualismo e o egocentrismo estão presentes, marcados principalmente pela supervalorização do "eu", da intuição e da imaginação. A poesia é avaliada a partir da reprodução de uma experiência pessoal, embora o individualismo se apresente contraditório. Como o escritor ou poeta romântico escreve para o público burguês, que é pouco habituado às convenções literárias clássicas, a literatura apresenta uma valorização da sociedade local popular e particular, ao invés da tradicional universalidade clássica. Essa individualidade é a expressão individual da riqueza interior que se defronta com a inadequação à realidade, dando consciência da solidão. A evasão e a exaltação da morte também são conseqüências do conflito com a realidade. A idealização da mulher traz de volta o amor platônico e sentimentalismo, supervalorizando o amor. No Brasil, a poesia é subdividida em 3 períodos, chamados de gerações: 1a. Geração: Nacionalista ou indianista Tomou o índio como representante da nacionalidade brasileira (belo, forte e virtuoso). O reflexo do nacionalismo exalta a natureza, o sentimentalismo e a religiosidade. Principais poetas: - Gonçalves de Magalhães 2a. geração: Ultra-romântica, byronista, mal-do-século Exagera os sentimentos, a emoção e o subjetivismo, acrescentando o gosto pelo noturno, a solidão e a morte. Principais poetas: - Álvares de Azevedo - Casimiro de Abreu - Junqueira Freire - Fagundes Varela 3a. geração: condoreirista A literatura se manifesta a serviço das causas sociais, defendendo a abolição e a república Principais poetas: - Castro Alves - Tobias Barreto - Sousândrade Já no romance, mesmo seguindo as linhas européias, nossos escritores utilizam tendências nacionais, apresentando romances regionalistas, urbanos, históricos e indianistas. Romance Urbano: descreve a vida burguesa da Corte do Rio de Janeiro, suas relações amorosas, reuniões sociais e familiares.
Romance Regional: descreve o homem e seu relacionamento com o meio ambiente brasileiro.
Romance Indianista: exalta a natureza da pátria e eleva o índio à condição de herói nacional
Romance Histórico: idealiza o passado histórico brasileiro
No teatro, Martins Pena se destaca. |