Era uma vez um homem que depois de muito viajar, chegou em um rio.  Ele precisava atravessar porque o  lado do rio, onde se encontrava, era muito fundo e perigoso e o outro lado parecia mais seguro e mais fácil.

Pensou, durante algum tempo, em como faria para atravessar.  Teve a idéia de construir uma jangada de galhos e junco, e, assim, conseguiu atravessar o rio com segurança. 

Ao chegar à outra margem, parou e ficou olhando para a jangada.  Pensava que a mesma tinha sido útil na travessia do rio e que não poderia abandoná-la para apodrecer na margem.  Além disso, pensava que poderia precisar dela no futuro.  E, se quando precisasse de uma jangada, não encontrasse material para fazer?  Confabulando consigo mesmo, decidiu-se por levar a jangada.  Voluntariamente, assumiu um fardo desnecessário.

Quantos fardos desnecessários carregamos nas costas! Discussões inúteis e desnecessárias, objetos que não mais servirão e ocupam lugar, papéis e tantas coisas que pensamos poder precisar um dia.  Entretanto, no dia que precisamos, normalmente não encontramos ou se encontramos percebemos como foi inútil guardar, não serve, já está velho, não se adapta, não é exatamente aquilo que queremos...

E nesse mesmo caminho, quantas relações inúteis algumas pessoas mantém apenas para não estarem ou se sentirem sozinhas? 

Algumas pequenas alterações nos fardos que podemos e queremos abandonar, tornariam mais leve e rápida nossa caminhada.

Helena Lambrou

Baseado em conto sufi