"Falas de civilização, e de
não dever ser.
Ou de não dever ser
assim.
Dizes que todos sofrem, ou
a maioria de todos,
Com as cousas humanas
postas desta maneira.
Dizes que se fossem
diferentes, sofreriam menos.
Dizes que se fossem como tu
queres, seria melhor.
Escuto sem te
ouvir.
Para quê te quereria eu
ouvir?
Ouvindo-te nada ficaria
sabendo.
Se as cousas fossem
diferentes, seriam diferentes: eis tudo.
Se as cousas fossem como tu
queres, seriam só como tu queres.
Ai de ti e de todos que
levam a vida
A querer inventar a máquina
de fazer felicidade!"
Alberto
Caeiro
Cia das
Letras