
Bom
Dia!
Beijos,
Helena
Alberto
Caeiro
O meu olhar é
nítido como um girassol.
Tenho o costume
de andar pelas estradas
Olhando para a
direita e para a esquerda,
E de vez em
quando olhando para trás...
E o que vejo a
cada momento
É aquilo que
nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por
isso muito bem...
Sei ter o pasmo
comigo
Que tem uma
criança se, ao nascer,
Reparasse que
nascera deveras...
Sinto-me nascido
a cada momento...
Para a eterna
novidade do mundo...
Creio no mundo
como num malmequer,
Porque o
vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é
não compreender...
O mundo não se
fez para pensarmos nele
(Pensar é estar
doente dos olhos)
Mas para
olharmos para ele e estarmos de acordo.
Eu não tenho
filosofia: tenho sentidos...
Se falo na
Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a
amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama
nunca sabe o que ama
Nem sabe porque
ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna
inocência,
E a única
inocência é não pensar...
(Poesia - Fernando
Pessoa/Alberto Caeiro - Companhia das Letras)
formatado by Helena
Lambrou em 21/4/2004