Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso." 

Quero para mim o espírito desta frase, transformada  a forma para a casar com o que eu sou:
Viver não  é necessário;
o que é necessário é criar. 

Não conto gozar a minha vida;
nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a minha alma a lenha desse fogo.

Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha. 

Cada vez mais assim penso.
Cada vez mais ponho na essência anímica do meu sangue o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir para a evolução da humanidade.

                               Fernando Pessoa.
 
Obs: Recebido de minha querida amiga Vera Tanka, a Pata Marrom, em dezembro de 2003.  Hoje, Vera voa livre como um falcão, liberta do corpo de carne.

Som: Voa Liberdade - Jesse (homenagem)